A maioria dos brasileiros paga IR a mais por não conhecer as deduções legais disponíveis. Veja o que pode ser deduzido e como usar a declaração a seu favor.
O Brasil tem uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo. O que a maioria dos contribuintes não sabe é que existe um conjunto de deduções legais que pode reduzir significativamente o imposto a pagar — ou aumentar a restituição — sem nenhuma ilegalidade.
Usar essas deduções não é sonegação. É planejar.
O modelo de declaração que mais gente escolhe errado
Existem dois modelos de declaração: simplificado e completo.
O simplificado aplica um desconto padrão de 20% sobre a base de cálculo, limitado a R$ 16.754 (valor de 2025). Prático, mas pode ser desvantajoso para quem tem despesas dedutíveis acima desse valor.
O completo permite deduzir gastos reais comprovados. Para a maioria dos homens de 35+ com filhos, dependentes, plano de saúde, médico, dentista e educação, o modelo completo frequentemente resulta em menos imposto ou maior restituição.
O que pode ser deduzido — e muita gente esquece
Dependentes. Cada dependente legal (filhos, cônjuge sem renda própria) reduz a base de cálculo em R$ 2.275 por ano.
Saúde. Não tem limite de dedução. Inclui: consultas médicas, plano de saúde (para você e dependentes), dentista, psicólogo, fisioterapeuta, exames, internações. Exige comprovante com CPF do prestador.
Educação. Limitada a R$ 3.561 por pessoa (você e dependentes). Inclui escola, faculdade, curso técnico. Cursos livres, idiomas e pós-graduação lato sensu geralmente não são dedutíveis — mas MBA em faculdade reconhecida pelo MEC pode ser.
Previdência privada (PGBL). Até 12% da renda bruta tributável, desde que você também contribua para o INSS ou regime próprio.
Pensão alimentícia. Dedutível integralmente quando fixada por decisão judicial.
Doações a fundos municipais, estaduais e federais da criança e do idoso. Até 6% do IR devido — você direciona parte do imposto que pagaria ao governo para fundos específicos.
O que você pode fazer agora para 2026
Guarde todos os recibos e notas fiscais de gastos médicos e educacionais ao longo de 2026 — em papel ou digital, com CPF do prestador. Em saúde, não há teto. Cada real documentado reduz sua base de cálculo.
Se você tem PGBL e não está maximizando os 12% de dedução, avalie contribuições adicionais antes de dezembro — o prazo para que entrem na declaração do ano seguinte.






